Preço das passagens aéreas não "aterrissou"

Fonte CONUT - 13/06/2018 - 12h51min
Preço das passagens aéreas não
A redução no preço das passagens era a principal justificativa das companhias aéreas quando começaram a cobrar pelas bagagens despachadas nos aeroportos brasileiros, desde junho de 2017. Um ano após a mudança, aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em dezembro de 2016, os benefícios ainda não chegaram ao bolso do consumidor, que aguarda a “aterrissagem” dos valores. Por enquanto, eles seguem “decolando”.
 
Ao invés de baixar, o preço médio dos bilhetes subiu 6%, já descontando a inflação. Passou de R$ 333,35, em junho do ano passado, para R$ 354,02 no último mês de fevereiro, segundo levantamento mais recente da Anac. Comparando fevereiro de 2017 com igual período de 2016, quando o valor era R$ 330,81, o aumento real foi de 7%. 
 
Para a agência, no momento, qualquer análise sobre os impactos da mudança seria imatura. Na resolução que alterou as regras, foi estipulado prazo de cinco anos para uma primeira avaliação. Mas a Anac, na condição de reguladora do setor aéreo do País, deveria ficar mais atenta à questão, a fim de evitar prejuízos aos passageiros. 
 
Caso isso não ocorra, a cobrança pelas malas despachadas, que poderia representar mais economia para quem viaja com bagagem de mão, será mais um mecanismo para engordar a receita das empresas aéreas. E esse movimento já pode ser percebido, não só nos valores das passagens. 
 
Quando a medida foi adotada, R$ 30 era o valor cobrado para transportar uma mala de até 23 kg, válido para os pagamentos feitos com antecedência. Hoje, a taxa já chega a R$ 50, aumento de 67%. A correção é injustificável, pois a inflação vem desacelerando no Brasil. Para não pagar caro pelo serviço, muitos passageiros preferem viajar com bagagens de mão. 

Vale lembrar, ainda, que Gol e Latam já não mais oferecem serviço de bordo gratuito ao passageiro. A venda de comidas e bebidas nas aeronaves das duas principais companhias do País também deveria puxar os preços das passagens para baixo. Teoricamente, há uma soma de fatores favorecendo o consumidor. Mas os usuários do transporte aéreo querem ver isso na prática. 

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